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14.06

Conversamos com nosso entrevistado sobre a importância de conteúdos para a comunidade LGBTQ+.


Em comemoração ao mês do Orgulho LGBTQ+, a equipe GBEBR desenvolveu um projeto intitulado “Be Kind & Be Proud”, onde traremos diversos conteúdos relacionados a comunidade LGBTQ+. Um desses conteúdos são entrevistas com pessoas que possuem engajamento na comunidade LGBTQ+, umas mais conhecidas pela comunidade e outras menos.

Nossa primeira entrevista é com um dos grandes legenders de conteúdos queer, de codinome Fuzzco, responsável por legendar séries do universo queer como: RuPaul’s Drag Race, We’re Here, Legendary, entre outras… Além de dicas, ele bate um papo conosco sobre a importância de conteúdos para a comunidade e a sociedade num geral.

GBEBR: Nos conte um pouco sobre você e sobre seu trabalho com legendas. Quando começou a legendar e por quê?

Fuzzco: Eu comecei a legendar para mim mesmo em 2014, e lá para 2015 tive a ideia de legendar com uma qualidade melhor os episódios de RuPaul’s Drag Race.

Eu achava as legendas disponíveis na época muito mal acabadas e desorganizadas. Foi quando me chamaram para fazer parte do grupo de legenders, o InSUBs. Desde jovem acompanhava as séries com eles e sempre tive interesse em ajudar, mas não sabia como. Foi a kardashian que me chamou para participar. Eu amo trabalhar com legendas, mesmo que não seja nada profissional ou que me dê um salário em troca.


GBEBR: Como se sente quando as pessoas da comunidade te agradecem por legendar os conteúdos queer?

Fuzzco: Eu me sinto mega lisonjeado. Acho que qualquer legender que se dedique, se sente lisonjeado ao receber elogios e agradecimentos.
Ainda mais porque fazemos isso para mais pessoas ter acesso aos conteúdos que gostam.


GBEBR: Como enxerga o impacto do seu trabalho dentro da comunidade LGBTQ+?

Fuzzco: Eu acho que o impacto da Fuzzco dentro da comunidade queer foi positivo. Quando eu comecei a fazer as legendas tinha em mente em legendar conteúdo LGBT porque não via tantos conteúdos queer legendados, e ainda não vejo muito.

Então sempre que sai um conteúdo novo e o pessoal vê que eu vou legendar ou outra pessoa/equipe vai legendar, todos adoram. Nem todo mundo sabe o inglês tão bem para assistir sem legenda, nem eu mesmo sei. Fora que quem acompanha conteúdo LGBT nem sempre é LGBT. Já recebi mensagens de pessoas que assistem com os pais, tios e avós. Fora que há casais héteros que assistem programas como Drag Race, e agora com Legendary passando, também tem bastante gente não LGBT assistindo também.

Por mais que o conteúdo seja voltado à comunidade LGBT, a temática deles atrai outros públicos fora da comunidade e assim acaba educando-os também.

E também quando legendamos temos que ter o tato de usar as palavras adequadas nos momentos certos. Ninguém quer ver algo mal traduzido ou uma palavra totalmente errada e sem sentido na frase, porque quando a pessoa não tem a noção de que foi um erro de tradução, acaba achando que o personagem é estúpido ou ríspido baseado na legenda que fizeram.

E uma coisa que pouquíssimas pessoas falam, é que a legenda ajuda e muito deficientes auditivos. Já entraram em contato comigo agradecendo por legendar as coisas tão bem porque nem tudo que é legendado, tem um tempo hábil para lerem, então acho bem legal mencionar isso e gostaria que tudo tivesse uma legenda de qualidade também.


GBEBR: Falando em impactos… Existe algum conteúdo LGBTQ+ específico que te impactou e serviu de influência?

Fuzzco: O conteúdo que mais me chamou atenção no passado foi Will & Grace. Assistindo hoje, tem muitas questões problemáticas que podiam ser questionadas, só que como muita coisa dos anos 90 isso passava despercebido. Mas para mim foi a primeira série LGBT que tive contato e virei fã. Na época existia Queer as Folk também, mas eu não gostei tanto porque não era algo que eu podia assistir no quarto sem me preocupar da minha mãe ou pai entrar e ver uma cena de sexo LGBT. Eu não era assumido, então Will e Grace contribuiu para eu me assumir e ver que o mundo LGBT nem sempre era tudo aquilo que mostrava em Queer as Folk. (Eu acabei assistindo depois de alguns anos).

Não que eu esteja falando mal, mas era uma realidade que não condizia com a minha. Além disso, eu assistia Will e Grace e não tinha noção alguma do dialeto LGBT que utilizavam na série, isso que contribuiu de eu aprender mais do inglês. Nunca fiz curso, sempre aprendi as coisas sozinho. E anos depois veio Drag Race que me impactou no sentido de aprender mais do dialeto. Eu comecei a assistir na quinta temporada, e ver a Alyssa falando tudo no linguajar era o meu paraíso para pesquisar ao pé da letra o significado das palavras.


GBEBR: Quais conteúdos você recomenda por acreditar serem necessários para as pessoas assistirem e gerarem debates reflexivos sobre a comunidade LGBTQ+.

Fuzzco: Acredito que o mais recomendável para indicação seria Pose. Pose retrata uma parcela grande da comunidade LGBT e não foca tanto em amor GGGG como vemos em diversas séries, fora que também entra a questão do T nunca estar presente em produções hollywoodianas. A série traz muita coisa dos anos 80/90 que ainda hoje acontece com todos da comunidade, claro, antigamente era mais rígido só que ainda há lugares que não evoluíram. E além dessa discussão toda da comunidade, entra a questão racial que são poucas produções que ousam falar sobre isso. E um pouco muito importante é por apresentarem um elenco majoritariamente trans.

É algo que precisamos ter mais aqui no Brasil também pois muitas marcas pegam a gente de token no mês do Orgulho só para pagar de desconstruída, mas sabemos que por trás de tudo isso há uma pessoa que não vê o lado humanizado das pessoas.


GBEBR: O que você acha necessário para que os conteúdos queer tenham mais alcance.

Fuzzco: Chance. Independente da plataforma, seja streaming, canal de TV, eventos, tudo é uma questão de chance. Eu vejo que há diversos magnatas que não acreditam no potencial das produções LGBTs por preconceito ou medo do público deles não verem aquilo com bons olhos, financeiramente. Tem diversos conteúdos que só chegam para uma parcela da população que tem condições. A TV aberta, por exemplo, raramente vai exibir um documentário como “paris is Burning” ou “Drag Race”. Por mais que no SBT já tenha sido exibido “Paris is Burning”, hoje em dia nada é bem retratado na TV sobre a comunidade queer.


GBEBR: Se encontra satisfeito com a representatividade proporcionada por tais conteúdos?

Fuzzco: Uma coisa que eu estou gostando de ver e acaba me representando é o fato de adicionarem personagens em series/filmes e eles não precisarem falar: “Oi, eu sou fulano, e sou gay/lésbica/trans”. É algo que aos poucos está acontecendo naturalmente. O que digo aqui não é para ser confundido que não deve ter Orgulho nas produções, digo isso porque acaba parecendo que fizeram esse papel por lacração, sabe? Ah, e também tem o fato de hoje em dia personagens LGBTs serem interpretados por pessoas LGBTs, e os próprios atores LGBTs interpretarem papeis héteros. Antigamente não existia isso, então indiretamente me sinto mais representado nessa questão.


GBEBR: Para finalizar, qual é o seu conselho para a comunidade nesse mês do orgulho LGBTQ+ e também para os que estão se descobrindo agora.

Fuzzco: Acho que é impossível dizer que nesse ano as coisas estão normais porem, apesar dessa pandemia, tenham sempre pensamentos positivos.

Parece clichê falar isso, mas se estiver passando uma dificuldade em contar as pessoas que você é LGBT, isso vai melhorar. Caso não se sintam seguros em contar sobre isso, não conte. Aguarde ter idade suficiente ou uma estabilidade financeira melhor porque sei que nem todos os pais ou familiares podem aceitar tão bem isso logo de cara. Protejam-se usando máscara de proteção e camisinha!

E procure sempre buscar conhecimento, ensinar as pessoas sobre os nossos direitos e mostrar mais desse universo, mesmo que não seja assumido.

Aos poucos vai tentando mostrar um conteúdo LGBT mais “light”. Uma serie legal é Doom Patrol que há um personagem LGBT, Batwoman, a própria série Will e Grace que é de comédia.


A equipe GBEBR agradece ao Fuzzco pela entrevista e a sua contribuição com nosso projeto. Você pode estar conhecendo e acompanhando mais o seu trabalho, através do Twitter: twitter.com/FuzzcoNews


Por: Enola Fernandes, Elizandra Sanches, GBEBR

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