Seja bem-vindo ao Giulia Be Brasil, sua primeira, maior e melhor fonte sobre a cantora e compositora brasileira, Giulia Be. Aqui você encontrará notícias sobre seus projetos, campanhas e muito mais, além de entrevistas e uma galeria repleta de fotos. Reconhecido pela Warner Music Brasil, somos um site feito por fãs, onde procuramos postar informações para outros admiradores do trabalho da cantora brasileira, além de nós. Caso reproduza alguma notícia de nosso site, nos dê os devidos créditos. Esperamos que goste de nossos conteúdos e volte sempre!
26.06

Conversamos com as ativistas sobre os negros dentro da sociedade e a luta por direitos.


Em comemoração ao mês do Orgulho LGBTQ+, a equipe GBEBR desenvolveu um projeto intitulado “Be Kind & Be Proud”, onde traremos diversos conteúdos relacionados a comunidade LGBTQ+. Um desses conteúdos são entrevistas com pessoas que possuem engajamento na comunidade LGBTQ+, umas mais conhecidas pela comunidade e outras menos.

Nossa última entrevista é com duas jovens negras: Daniela Gava Duarte (formada em direito e ativista) e Débora Cristina (estudante de letras, ativista e LGBTQ+). Batemos um papo com nossas entrevistadas sobre a importância de negros dentro da comunidade LGBTQ+, dentro da sociedade em geral, representatividade e luta antirracista.


GBEBR: Olá. É um prazer entrevistá-las e obrigada por aceitarem o convite do nosso projeto “Be Kind & Be Proud”. Começando… Nos fale um pouco sobre vocês.

Daniela: Meu nome é Daniela Gava Duarte, tenho 23 anos, sou do interior do Espírito Santo e sou uma mulher negra formada recentemente em Direito.

Débora: Meu nome é Débora Cristina, tenho 23 anos e estou cursando a Faculdade de Letras – Português/Inglês.


GBEBR: Vocês são duas jovens, que assim como outros, estão em busca de realizar seus sonhos. Como vocês se sentem sendo negras no Brasil? E para você Débora, que além de negra, também faz parte da comunidade LGBTQ+.

Daniela: Não é uma sociedade fácil de se viver, pois constantemente temos que nos deparar com o preconceito, além de termos que trabalhar duas vezes mais para mostrar o nosso valor e potencial. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, ainda é um orgulho sem tamanho fazer parte dessa parcela da população.

Débora: Eu costumo dizer que ser negro no Brasil é um montante de frustrações e grandiosidades sem tamanho. Acrescentando ao montante ser mulher e lésbica, a desvalorização da minha existência se manifesta diariamente, não é fácil, mas se tem algo que estamos acostumados é com dificuldades.


GBEBR: Nos últimos meses, a sociedade tem presenciado um grande debate sobre o genocídio da população negra, a desmilitarização da polícia, além das questões de direitos humanos. Para vocês, é necessário também haver um debate sobre pessoas negras LGBT’s e toda a diversidade negra?

Daniela: Com certeza! Porque esta também é uma parte da população que é constantemente vitimada pela sociedade e que merece um grande destaque nas mais diversas pautas reforçadas no Brasil. Como toda minoria, deve ser reconhecida através do estímulo do debate e da educação.

Débora: Historicamente falando, o movimento LGBT+ sempre foi encabeçado por pessoas negras. Não se pede nada mais que o justo, quando falamos sobre equiparação, valorização e respeito. No meu ponto de vista, não se existe direitos coletivos quando os individuais estão sendo ignorados.


GBEBR: Débora, qual a sua opinião sobre a posição dos negros LGBTQ+ dentro da comunidade?

Débora: De resistência. A racialização dessa conversa sempre precisa estar no centro. Quando eu penso em um homem LGBT+ por exemplo, o que é constantemente exposto é o homem branco, de classe média e com um ciclo de amizade vasto. Sexualidade não tem rosto. Não existe um estilo único de se apresentar, e temos exemplos vastos de negros na luta por igualdade, como Ângela Davis, por exemplo.


GBEBR: Débora, sabemos que existem pautas que são invisibilizadas dentro do próprio movimento LGBTQ+, como a saúde de mulheres trans, lésbicas e bissexuais negras. Qual é a sua opinião sobre isso, e o que a comunidade tem que fazer para que isso seja debatido de forma correta?

Débora: Se tem algo que essa parte da comunidade aprendeu, é que ninguém vai lutar essa causa por nós. A invisibilidade é massacrante e constante. O discurso é muito importante, mas não é o bastante. Visibilidade no ambiente de trabalho, na distribuição de renda, principalmente nas políticas públicas, são medidas emergenciais para essa classe.


GBEBR: Na opinião de vocês, o que é necessário fazer para reconhecer as diferenças dentro de qualquer movimento, não somente do LGBTQ+.

Daniela: É necessário promover o debate acerca do assunto. Não falar sobre, é o que gera os mais diversos embates e o preconceito. É preciso aceitar que há diferenças dentro de todos os movimentos, mas dialogar com intuito de aceitação e promoção de igualdade.

Débora: O que não é visto não é lembrado. Posições de destaque, com conversas abrangentes e CADA UM FAZENDO A SUA PARTE. Não existe isso de não é a minha luta, “não tenho local de fala”, não existe local de fala para a injustiça. Se posicione. Fale. E se a sua voz tem mais possibilidade de ser ouvida que outra, use-a.


GBEBR: Para vocês, qual é o papel das pessoas brancas em relação a luta antirracista?

Daniela: As pessoas brancas têm um papel fundamental no combate ao racismo, pois somente os negros sozinhos não podem avançar nesta luta. O racismo existente no Brasil é sistêmico e estrutural, portanto, as pessoas brancas precisam se informar, rever antigos conceitos e ajudar a promover o conhecimento e os debates acerca do preconceito racial.

Débora: Ouvir, absorver e espalhar o discurso. Sem retrucar, sem justificar, e se posicionando. Obviamente, não existe posicionamento sem conhecimento, então estude sobre. Dê espaço para negros. Use seu privilégio. Não fique apático.


GBEBR: Falar sobre jovens negros LGBTQs é também uma questão de saúde e de qualidade de vida. Na opinião de vocês, quais atitudes por parte do governo, da sociedade e da comunidade LGBTQ+ é necessário para se ter mais representatividade, diversidade e igualdade?

Daniela: É preciso estimular inúmeras atividades que promovam a representatividade, tais como políticas públicas e ações afirmativas que visem a inclusão dessa parcela da população que é marginalizada há séculos. Deixar de falar do preconceito, em todas as suas vertentes, não acaba com ele… somente aumenta a sua proporção.

Débora: Quando falamos de políticas públicas não falamos de discursos, falamos de ações. Ações como construções de abrigos e cursos específicos para pessoas trans em situação de rua, criação de leis que os protejam no local de trabalho, e os respaldam em conflitos sem medo de represálias. Foquei no público trans, pois, é o mais afetado hoje da Comunidade LGBT+ em expectativa de vida, principalmente se sua cor for preta.

Existem muitas outras ações necessárias para outras siglas, e muito parecido com a causa negra, precisamos ouvir as necessidades e os socorrer, pois, quem está morrendo diariamente por esse preconceito, não está aberto a discursos, e sim a ações.


GBEBR: Quais ativistas e artistas negros são suas inspirações.

Daniela: Existem vários (as) que são muito importantes para o movimento e que que inspiram tantos jovens assim como eu, alguns deles são Michelle Obama, Viola Davis, Maya Angelou, Djamila Ribeiro, Silvio Almeida e Taís Araújo.

Débora: Aqui no Brasil Silvio Almeida, Djamila Ribeiro, Djonga, Lineker, entre outros. Internacional, Kendrick Lamar, Jay-Z, Tamika Mallory entre outros.


GBEBR: Para finalizar a nossa entrevista, qual é a mensagem de vocês para os negros e a comunidade LGBTQ+? Quais projetos tem feito a diferença na opinião de vocês para melhorar a representatividade negra, que vocês recomendam.

Daniela: A sociedade em que vivemos hoje está bem longe de ser a ideal, mas devemos continuar na luta para que ao menos os que vierem depois de nós possam viver em um mundo que seja aberto a respeitar as diferenças e aceitar a diversidade. É muito importante dar voz aos artistas, escritores e inúmeros outros exemplos de pessoas negras.

Repensar se existe representatividade em tudo que você anda consumindo e estimular a divulgação de trabalho negro. É fundamental desenvolver um pensamento crítico.

Um livro essencial para compreender e refletir acerca do racismo, é a obra “Pequeno Manual Antirracista” da Djamila Ribeiro, leitura imprescindível para o momento em questão. Além de várias páginas no instagram como @pretitudes, @gentepreta, @africanizeioficial e muitos outros projetos que promovem o debate, a conscientização e consequentemente a representatividade.

Débora: O momento que vivemos hoje nos requer cautela. Não de ações, mas de informações. Precisamos nos armar de informações robustas e concretas, um sistema de apoio sólido, embora nem todos os possuam, é de extrema importância. E seja feliz, a felicidade só assusta quem não se abriu totalmente a ela.

Eu amo séries, e uma com uma representatividade incrível é Pose. Nos supre tanto essa série nesse momento em que vivemos, e todos deveriam mergulhar um pouco no mundo desafiante dessa série.


Layout criado e desenvolvido por Lannie D
Todos os direitos reservados ao Giulia Be Brasil • Hosted by Flaunt